EUA responsabilizam Canadá pelo fim das negociações comerciais
O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, declarou nesta segunda-feira, 24, que as tratativas comerciais com o Canadá chegaram a um impasse devido às demandas canadenses por condições mais favoráveis, algo que Washington não estava disposto a conceder.
Oferta rejeitada pelos canadenses
Em entrevista ao canal CNBC, Greer descreveu a proposta americana como a melhor oferta de acesso ao mercado já apresentada ao Canadá. Segundo ele, os canadenses teriam acesso preferencial em relação a todos os demais países, sendo tratados como o principal parceiro comercial dos EUA.
"Eles disseram que precisavam de uma situação melhor do que essa e se afastaram", afirmou Greer, acrescentando que os EUA seguirão com sua política comercial conforme o planejado.
Divergências sobre o setor automotivo
Entre os principais pontos de discordância está o setor automotivo. De acordo com Greer, o Canadá teria solicitado um escopo mais amplo nas negociações, incluindo isenções para caminhões pesados, caminhões de passageiros e automóveis em geral — condições que os americanos não aceitaram.
Imposto sobre empresas de tecnologia também gerou conflito
Outro fator determinante para o fracasso das negociações foi a questão envolvendo empresas de tecnologia. O representante americano criticou a prática adotada pelo Canadá — e também pela Austrália — de exigir que plataformas como a Netflix destinem uma parcela de seus lucros a produtores de conteúdo locais.
- O Canadá exigiria que empresas como a Netflix repassassem 5% de seus rendimentos a produtores de conteúdo canadenses
- Washington classifica essa exigência como um imposto discriminatório contra empresas americanas
- A medida foi apontada como um dos principais obstáculos ao avanço das negociações
Com o colapso das conversas, os dois países seguem sem um novo acordo comercial definido, enquanto os EUA indicam que manterão sua política tarifária em vigor sem alterações imediatas.