O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste sábado (12) que os Houthis, grupo rebelde iemenita aliado ao Irã, entraram em contato com Washington para evitar uma intervenção direta americana no conflito regional. Segundo Trump, os rebeldes sinalizaram que não desejam confronto com as forças norte-americanas após assumirem o controle do estreito de Bab el-Mandeb.

Declarações de Trump em Dublin

Durante uma viagem de 48 horas à Irlanda, Trump afirmou a jornalistas em Dublin que os Houthis ligaram para o governo americano e expressaram desejo de não lutar contra os Estados Unidos. O presidente repetiu que o grupo prefere que Washington não se envolva diretamente e que está permitindo a passagem da maioria dos navios pelo mar Vermelho. "Os houthis nos ligaram e não querem lutar conosco", disse o republicano. "Eles não querem que nós os ataquemos", acrescentou. Trump mencionou ainda que apenas um país enfrenta insatisfação dos rebeldes e que essa questão seria resolvida. Ele não identificou o país, mas observou que a navegação permanece segura exceto para embarcações sauditas. "Eles prefeririam muito que não estivéssemos envolvidos, e estão deixando a maioria dos navios passar. Há apenas um país com o qual eles não estão muito satisfeitos, e vamos resolver isso", declarou. O que segue dessas palavras é que o governo americano avalia a possibilidade de manter distância militar direta, embora a avaliação possa mudar caso a ameaça às rotas aumente. O que a fonte deixa em aberto é quais seriam as consequências concretas caso o país insatisfeito seja identificado publicamente.

Controle do estreito de Bab el-Mandeb

Um dia antes das declarações, os Houthis tomaram toda a costa iemenita no mar Vermelho e assumiram o controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb. Relatos de rivais indicam que o grupo entrou em cidades e ilhas da região. O controle dessa passagem marítima eleva a tensão sobre rotas comerciais globais. Os rebeldes declararam na sexta-feira que a navegação seria segura por essa via, exceto para navios da Arábia Saudita. Essa posição coincide com as observações de Trump sobre a permissão de passagem para a maioria das embarcações. O que se segue é que o estreito, localizado ao norte de Mocha, tornou-se ponto central da disputa regional, afetando diretamente a capacidade da Arábia Saudita de escoar petróleo enquanto o estreito de Hormuz permanece bloqueado. O que a fonte não esclarece é até que ponto o controle completo da costa garante estabilidade duradoura para o tráfego comercial.

Ataque ao oleoduto saudita e papel do Irã

Trump afirmou que o regime iraniano provavelmente foi o responsável pelo ataque ao oleoduto que liga campos de petróleo sauditas no leste da península Arábica ao porto de Yanbu, no mar Vermelho. Ninguém reivindicou a autoria até o momento. O Ministério da Energia da Arábia Saudita fechou o oleoduto como medida de precaução. Essa rota serve como alternativa principal para escoar petróleo saudita enquanto o estreito de Hormuz permanece bloqueado pelo Irã. A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, depende da navegação segura no mar Vermelho. O que resulta dessas afirmações é que qualquer interrupção prolongada do oleoduto reforça a importância do mar Vermelho como via alternativa. O que permanece incerto é a identidade dos autores do ataque, já que até o momento ninguém assumiu a responsabilidade.

Conversas entre Trump e Mohammed bin Salman

O presidente americano relatou ter conversado com o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, a quem chamou de amigo. Trump afirmou que tudo sairia maravilhosamente bem apesar da escalada do conflito. Segundo o site Axios, Salman ligou duas vezes para Trump pedindo ataques americanos contra os Houthis, pedido rejeitado por Washington. Dois funcionários do governo americano informaram à ABC News que os Estados Unidos fornecem à Arábia Saudita apoio de inteligência e assistência para identificação de alvos, mas não planejam, no momento, lançar ataques militares diretos contra os Houthis. Essa avaliação pode mudar se a ameaça às rotas de navegação aumentar. O que decorre daí é que o apoio americano permanece restrito a inteligência, sem envolvimento militar direto, embora essa postura possa ser revista.

Reuniões militares e ações no Iêmen

O comandante do Comando Central americano, almirante Brad Cooper, viajou à Arábia Saudita na quinta-feira para reuniões, segundo um dos funcionários ouvidos pela ABC News. Paralelamente, forças governamentais iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita afirmaram ter atacado combatentes Houthis em Mocha, na costa do mar Vermelho ao norte do estreito. O que se observa é que, enquanto Washington fornece apoio indireto, as forças iemenitas realizam operações terrestres limitadas contra os rebeldes.

Contexto da viagem à Irlanda

Trump participa de um torneio de golfe em Doonbeg, onde possui um resort. Na capital, ele se reuniu com a presidente irlandesa Catherine Connolly. Protestos contra a guerra e contra Trump estavam previstos em Dublin e Doonbeg. Um manifestante exibiu uma bandeira da Palestina perto da residência presidencial. A Irlanda é um dos países da União Europeia mais favoráveis à causa palestina e aprovou em julho uma lei que restringe o comércio de produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia. O que fica evidente é que a visita ocorre em ambiente de protestos e posicionamento favorável à causa palestina por parte do governo irlandês.

Perguntas frequentes

Quais foram as declarações exatas de Trump sobre os Houthis?

Trump afirmou que os Houthis ligaram para o governo americano e disseram não querer lutar contra os Estados Unidos nem que Washington os atacasse.

O que significa o controle do estreito de Bab el-Mandeb pelos Houthis?

O grupo assumiu o controle da costa iemenita no mar Vermelho e do estreito, declarando que a navegação seria segura exceto para navios sauditas.

Qual o papel dos Estados Unidos no conflito atual?

Washington fornece inteligência e assistência para identificação de alvos à Arábia Saudita, mas não planeja ataques militares diretos contra os Houthis neste momento.

Por que o oleoduto saudita foi fechado?

O Ministério da Energia saudita fechou o oleoduto como medida de precaução após o ataque que o ligava aos campos de petróleo e ao porto de Yanbu.

Qual a posição da Arábia Saudita sobre os ataques?

O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman ligou duas vezes para Trump pedindo ataques americanos contra os Houthis, pedido que foi rejeitado.

Principais pontos

  • Trump afirmou que os Houthis contataram Washington para evitar confronto direto com o EUA.
  • Os rebeldes assumiram o controle do estreito de Bab el-Mandeb e permitem passagem de navios exceto sauditas.
  • Trump atribuiu ao Irã o ataque ao oleoduto saudita que foi fechado como precaução.
  • Os EUA fornecem inteligência à Arábia Saudita sem planejar ataques diretos no momento.
  • Forças iemenitas apoiadas por Riad atacaram combatentes Houthis em Mocha.

Perspectiva

As declarações de Trump ocorrem em meio à escalada regional e à estagnação das negociações diplomáticas. O apoio americano à Arábia Saudita permanece limitado a inteligência, enquanto a situação no mar Vermelho continua a afetar rotas de navegação e exportações de petróleo.