Trânsito Atinge Níveis Críticos na Capital Paulista

São Paulo experienciou uma manhã de terça-feira (4) com engarrafamentos que superaram a marca de 1.000 km, conforme dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Às 10h, o monitoramento indicava um total de 1.416 km de lentidão. Em comparação, na primeira terça-feira de junho, o índice de lentidão no mesmo horário foi de 413 km.

Impacto por Região

As zonas da cidade foram afetadas de maneira desigual, com a Zona Sul registrando 432 km de tráfego lento, seguida pela Zona Leste com 358 km. A Zona Oeste apresentou 338 km, a Zona Norte 185 km, e a região central 103 km de congestionamento.

Greve na CPTM Agrava o Cenário

A paralisação dos funcionários ferroviários, iniciada na madrugada de terça-feira, atingiu as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. Enquanto as linhas 11-Coral e 12-Safira operavam parcialmente (entre Barra Funda e Guaianases, e Brás e Engenheiro Goulart, respectivamente), a linha 13-Jade estava completamente inoperante no início do dia. Estas linhas são cruciais para a conexão entre o centro e a populosa Zona Leste da cidade, e sua interrupção causou superlotação e atrasos significativos para os passageiros.

Medidas de Contingência e Reivindicações

O governo de São Paulo ativou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), disponibilizando 128 ônibus para tentar suprir a demanda, que se mostrou muito superior. O Metrô antecipou o início de suas operações para as 4h e intensificou a Linha 3-Vermelha. A CPTM, por sua vez, implementou um plano de contingência para garantir a operação parcial das linhas afetadas.

A greve, decretada por tempo indeterminado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), é um protesto contra a concessão das linhas e as alegadas falhas da concessionária Trivia Trens. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais períodos, sob pena de multa diária de R$ 400 mil em caso de descumprimento.

A CPTM e o governo estadual expressaram seu desapontamento com a decisão do sindicato, afirmando que haviam apresentado compromissos e disposição para negociar, incluindo a preservação de empregos, a análise de projetos de lei de interesse da categoria e a discussão sobre a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM, além da inclusão dos trabalhadores no Iamspe (Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual).