OMS Defende Calendários de Vacinação Baseados em Evidências
A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou-se em defesa do processo científico que fundamenta os calendários de vacinação infantil. Essa declaração surgiu após a decisão do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assinar um decreto que buscava diminuir o número de vacinas recomendadas para crianças no país.
Na ocasião, Trump propôs a redução do calendário de 17 para 11 vacinas, alegando que a medida conferiria uma proteção de 'padrão-ouro' às crianças americanas e alinharia os EUA a outras nações desenvolvidas que, segundo ele, recomendam menos vacinas.
Fundamentação Científica das Recomendações da OMS
Tarik Jašarević, porta-voz da OMS, destacou em coletiva de imprensa em Genebra que as diretrizes de imunização são o resultado de mais de seis décadas de pesquisa, envolvendo a própria OMS, autoridades nacionais de saúde e grupos de especialistas independentes. Ele explicou que o momento ideal para a administração de cada vacina é determinado por uma análise científica aprofundada, considerando a vulnerabilidade das pessoas a doenças específicas e o desenvolvimento do sistema imunológico.
Jašarević acrescentou que a maioria dos países conta com grupos técnicos consultivos nacionais de imunização. Esses grupos, compostos por especialistas multidisciplinares, oferecem recomendações independentes e baseadas em evidências para os governos e gestores de programas de vacinação. Tais grupos frequentemente se baseiam nas orientações do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (Sage) da OMS ao estabelecer seus calendários nacionais.
Críticas e Preocupações da Comunidade Médica
O decreto gerou críticas significativas de associações médicas, especialistas em saúde pública e fabricantes de vacinas. Eles argumentaram que não há novas evidências científicas que justifiquem tais alterações e que o calendário de vacinação vigente nos EUA reflete décadas de comprovação e as necessidades específicas de saúde da população americana.
Médicos alertaram que uma redução no número de vacinas recomendadas poderia aumentar a vulnerabilidade de crianças a doenças preveníveis, além de gerar confusão entre os pais sobre os períodos adequados para a imunização. A ordem de Trump também sugeria a separação da vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola em três injeções individuais.
A fabricante MSD pronunciou-se afirmando que não existem evidências científicas publicadas que demonstrem qualquer benefício na divisão da vacina e alertou que consultas separadas poderiam elevar o risco de atrasos ou omissões no processo de vacinação.