Negociações em Roma: Dificuldades Persistem
As conversações entre o Líbano e Israel, mediadas pelos Estados Unidos, continuam em Roma, com o objetivo de abordar a retirada israelense do sul do Líbano e a questão do desarmamento do Hezbollah. No entanto, as sessões, que marcam o segundo dia da segunda rodada na capital italiana e a sétima no total após cinco reuniões em Washington, parecem não gerar avanços imediatos. Um alto funcionário libanês indicou que as partes permanecem divididas quanto ao desarmamento do Hezbollah, tornando improváveis novas retiradas israelenses no curto prazo.
O objetivo principal dessas negociações é fortalecer um frágil cessar-fogo e consolidar os termos de um acordo-quadro assinado em junho. A sessão de terça-feira foi dividida em duas frentes: uma política e outra militar, conforme relatado pela agência de notícias Anadolu, citando um oficial libanês. Durante o segmento político, o Líbano apresentou sua posição sobre a demarcação da fronteira. A vertente militar, por sua vez, focou nos mecanismos de verificação da implementação de arranjos de segurança, que incluem a retirada israelense e o destino das armas do Hezbollah.
Surpreendentemente, o oficial libanês mencionou que, pela primeira vez, a delegação israelense recuou da exigência de que o desarmamento do Hezbollah fosse discutido antes da questão da fronteira. Contudo, Israel ainda não respondeu ao compromisso libanês com o cessar-fogo no âmbito político. Um ponto crucial de discórdia é a colina de Ali Taher, uma área estratégica perto de Nabatieh, que Israel alega abrigar um centro de comando do Hezbollah e instalações subterrâneas de armas. Israel propõe que o exército libanês assuma o controle do local e desmantele a infraestrutura do grupo, designando-o como uma das várias “zonas piloto”. O Líbano, no entanto, argumenta que não há unidades israelenses na área para serem substituídas.
Desafios e Propostas para a Paz
As discussões também se estenderam à escolha de uma terceira parte para verificar a retirada israelense e supervisionar a transição de controle para o exército libanês nas áreas em questão, com alguns relatórios sugerindo a Itália para essa função. O Líbano propôs que as próximas zonas piloto fossem estabelecidas em Khiam ou Bint Jbeil. Nessas zonas, o exército libanês assumiria total responsabilidade pela segurança, impedindo o retorno do Hezbollah, em troca de uma retirada limitada das forças israelenses. Uma rodada anterior de negociações em Roma já havia resultado em um acordo para a retirada israelense dos arredores de Zawtar al-Gharbiyeh, permitindo o desdobramento do exército libanês e o retorno dos residentes após trabalhos de levantamento e desminagem.
Além disso, o Líbano exige que Israel cesse as demolições e bombardeios em larga escala no sul, citando um incidente recente perto do histórico Castelo de Beaufort. A correspondente da Al Jazeera, Zeina Khodr, de Nabatieh, expressou ceticismo quanto a novas retiradas israelenses, afirmando que “funcionários israelenses deixaram isso claro repetidamente”. Ela enfatizou a limitada capacidade de influência do Líbano, que, devido ao desequilíbrio de poder, depende fortemente do apoio do governo dos EUA.
Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, confirmou que as negociações visam fortalecer a implementação do acordo-quadro, incluindo o mecanismo de zonas piloto, a verificação do desarmamento do Hezbollah e outras ameaças de segurança ligadas ao Irã, bem como o redesdobramento das forças israelenses do sul, com o objetivo final de alcançar um acordo abrangente de segurança e paz.
Divisões Internas e Perspectivas Futuras
As negociações aprofundaram as divisões internas no Líbano. Zeina Khodr observou que “as pessoas no sul do Líbano têm pouca fé no acordo”, citando a raiva contra o Hezbollah por reabrir uma frente em março, bem como a desconfiança em relação a Israel, que os residentes acusam de ter intenções expansionistas e de continuar com as demolições de casas. Por outro lado, há aqueles que anseiam por qualquer acordo que possa encerrar as guerras recorrentes em uma economia “em ruínas”.
O Hezbollah, que não participa diretamente das negociações, declarou que se retirará do sul do rio Litani, mas não desarmará suas forças ao norte, onde se localiza Ali Taher. Seu líder, Naim Qassem, instou o governo a cessar as “concessões”, enquanto o primeiro-ministro Nawaf Salam culpou o grupo por arrastar o Líbano para guerras “absurdas”. As autoridades libanesas relatam que os ataques israelenses desde março resultaram na morte de 4.333 pessoas e no deslocamento de mais de um milhão.