Cenário Econômico: Dólar, Selic e Balanços

Nesta sexta-feira (7), o dólar iniciou o pregão com uma ligeira desvalorização, enquanto o mercado continua a processar o recente corte na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Além disso, a temporada de divulgação de balanços corporativos e a iminente divulgação de dados do mercado de trabalho norte-americano mantêm os investidores em alerta.

Por volta das 9h10, o dólar à vista operava em queda de 0,13%, sendo negociado a R$ 5,0988. No ambiente da B3, o contrato futuro de dólar para setembro, que possui alta liquidez, registrava uma baixa de 0,22%, alcançando R$ 5,1295. No dia anterior, a moeda americana havia encerrado em alta de 0,48%, cotada a R$ 5,105. Internacionalmente, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar frente a outras moedas fortes, apresentou valorização de 0,26%, ao passo que o Ibovespa encerrou o dia anterior com uma queda de 1,22%, atingindo 175.546 pontos.

Impacto da Política Monetária Brasileira

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, observou que a desvalorização do dólar no Brasil, em contraste com a tendência de fortalecimento global, pode ser atribuída à postura mais rigorosa do Banco Central brasileiro. Segundo ela, ao indicar que as taxas de juros não serão reduzidas rapidamente, a autoridade monetária assegura que os investimentos de renda fixa no país continuarão a oferecer retornos atrativos para o capital estrangeiro.

Na última quarta-feira (5), o Copom anunciou a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14% ao ano. Esta foi a quarta diminuição consecutiva da Selic, uma decisão amplamente antecipada pelos analistas de mercado. No comunicado subsequente, o colegiado optou por não detalhar os próximos passos da política monetária, reiterando que a extensão total do ciclo de cortes dependerá de “novas informações”, considerando os riscos inflacionários existentes.

Destaques Corporativos e Movimentações na Bolsa

Entre os eventos que influenciaram o mercado de ações, destacam-se os resultados financeiros do Bradesco, que reportou um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no segundo trimestre, representando um aumento de 16,2% em comparação ao mesmo período de 2025. A expectativa pelos resultados da Petrobras também foi um fator relevante, com a divulgação ocorrendo após o fechamento do mercado.

No primeiro trimestre sob o impacto total da elevação do preço do petróleo após o início do conflito no Irã, a Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro (97% a mais) em relação ao trimestre equivalente do ano anterior. Este resultado marca o melhor desempenho da empresa desde o segundo trimestre de 2022, período marcado pelo conflito na Ucrânia.

As ações do Bradesco registraram queda de 1,93%, cotadas a R$ 17,70. No decorrer do dia, os papéis da Smart Fit lideraram as perdas do Ibovespa, com uma retração de 7,82%, para R$ 18,38, após a divulgação de um balanço que ficou aquém das expectativas do mercado. As ações do Banco do Brasil também sofreram uma queda acentuada na quinta-feira, caindo 3,65%, para R$ 20,28.

Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, explica que a desvalorização das ações do Banco do Brasil em relação aos seus concorrentes reflete uma série de resultados desfavoráveis da instituição, o que leva o mercado a uma avaliação mais rigorosa. Augusto Parente, sócio-fundador da AW Capital, sugere que, diante do momento desafiador do banco, o mercado já tenta precificar o resultado do segundo trimestre, que será divulgado em 12 de agosto. Os balanços anteriores do banco foram significativamente afetados pelo aumento da inadimplência no setor do agronegócio, resultando em uma queda de 40% no lucro do quarto trimestre de 2025, para R$ 5,7 bilhões, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Parente também avalia que a queda da Bolsa na quinta-feira foi uma reação imediata ao comunicado do Copom. Embora o corte da Selic já fosse esperado, o mercado interpretou a comunicação como mais cautelosa e restritiva. “O discurso expressou preocupação com as múltiplas incertezas que permeiam o atual cenário econômico, tanto a nível doméstico quanto internacional.”

Cenário Geopolítico e Juros Futuros

No âmbito internacional, os investidores continuam a monitorar os desdobramentos do conflito entre EUA e Irã. Uma proposta de acordo para o fim da guerra no Oriente Médio foi apresentada pelo Irã e Omã, mas ainda não houve manifestação dos EUA. Simultaneamente, o Irã alertou os países do Golfo Pérsico que qualquer novo ataque dos EUA ao seu território resultaria em retaliações contra infraestruturas energéticas cruciais na região, conforme informações da Reuters.

Os juros futuros encerraram o dia em alta em quase todos os pontos da curva. O DI para janeiro de 2028 avançou para 13,870%, um aumento de 0,07 ponto percentual. Na parte mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 subiu para 14,470%, um avanço de 0,15 ponto percentual.

Eduardo Amorim, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, destaca que a porção mais curta da curva de DI acompanha principalmente as expectativas para as futuras decisões do Copom. Atualmente, o mercado projeta juros próximos de 13,8% no início de 2027, o que indica um espaço limitado para novos cortes neste ano. “Nos vencimentos mais longos, as taxas devem permanecer mais voláteis e com prêmio elevado, refletindo as incertezas fiscais, o período eleitoral, o comportamento do câmbio e o cenário externo”, afirma Amorim. A expectativa é de uma redução gradual dos juros de curto prazo, caso a inflação continue desacelerando, enquanto a parte longa da curva deve manter-se sob pressão.