Dólar Inicia Semana em Alta Devido a Preocupações Geopolíticas
Nesta segunda-feira (10), o dólar registrou alta, refletindo a apreensão dos investidores diante do conflito no Oriente Médio e da reabertura do estreito de Hormuz. Este canal marítimo é crucial para o transporte de aproximadamente 20% do petróleo e gás natural globais. Por volta das 9h55, a moeda norte-americana apresentava valorização de 0,13%, sendo cotada a R$ 5,091.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, também subia 0,23%, atingindo 99,76 pontos.
Oriente Médio e as Condições do Irã
O Irã anunciou que um acordo com Omã para novas rotas de navegação está em fase final, mas ressaltou que os Estados Unidos ainda precisam atender a certas exigências. No último sábado (8), um oficial iraniano de segurança nacional apresentou uma lista de condições para a reabertura do estreito de Hormuz ao tráfego marítimo. Entre as demandas, estão a suspensão do bloqueio naval e das sanções contra o Irã, a retirada das forças militares americanas da região, o pagamento de reparações de guerra, a liberação de ativos iranianos congelados e o fim dos ataques aos aliados do Irã e das ameaças ao país.
Em consequência das incertezas, os preços do petróleo registraram alta. O barril de Brent, referência internacional, chegou a subir 1,84%, sendo negociado a US$ 85,09 por volta das 8h.
Impacto dos Dados Econômicos e Balanços Corporativos no Brasil
Na sexta-feira (7), o dólar havia encerrado o dia em queda de 0,41%, a R$ 5,084, influenciado por dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos mais fracos do que o esperado. A Bolsa de Valores brasileira também fechou em baixa, com queda de 1,72%, aos 172.513 pontos, pressionada pela temporada de balanços corporativos.
Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, os resultados de empresas como Renner e Magazine Luiza ficaram abaixo das expectativas do mercado, mesmo com o cenário macroeconômico desafiador já precificado nas ações. Além disso, a redução das projeções anuais por parte das empresas não foi bem recebida pelos investidores. No caso da Petrobras, que teve um recuo de 2,99%, Magno sugere que o movimento pode ser uma realização de lucros, dado o acúmulo de quase 15% de alta em julho, apesar dos bons resultados e dividendos robustos.
Destaques Negativos e Positivos no Mercado Acionário Brasileiro
- Lojas Renner: As ações desabaram 8,08% após a companhia revisar para baixo sua projeção de vendas para 2026, citando a redução do fluxo de clientes durante a Copa do Mundo e um cenário macroeconômico mais desafiador.
- Magazine Luiza: A varejista registrou um prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, resultando em uma queda de 3,71% em suas ações.
- C&A: No mesmo segmento de moda, a C&A acompanhou a tendência de queda, recuando 2,75% após a divulgação de seus resultados.
- Assaí: Apesar de um lucro líquido de R$ 484 milhões no segundo trimestre, as ações do Assaí também estiveram entre as maiores quedas, com a empresa mencionando a pressão da inflação de alimentos e o endividamento das famílias.
- Fleury: Em contraste, as ações do Fleury dispararam 9,72%, impulsionadas por um lucro líquido de R$ 221,9 milhões no segundo trimestre, um aumento de 45,7% em relação ao ano anterior. Analistas do BTG Pactual destacaram o sólido conjunto de resultados, crescimento orgânico e forte geração de fluxo de caixa.
Cenário Americano e a Trajetória dos Juros
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) reforçou a percepção de uma economia menos aquecida, diminuindo as expectativas de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed). O Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA revelou o fechamento de 23 mil postos de trabalho em julho, um número abaixo das projeções dos economistas e do piso das estimativas.
A redução das expectativas de aumento de juros pelo Fed tende a derrubar os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, tornando os ativos dos EUA menos atraentes para o capital internacional. Esse movimento enfraquece o dólar e favorece a valorização de outras moedas, incluindo o real.
As bolsas americanas, por sua vez, fecharam em alta na segunda-feira: o Dow Jones subiu 0,28%, o S&P 500 avançou 0,62% e o Nasdaq ganhou 1,30%.