Centenário de Fidel Castro em Meio a Crise
Cuba realizou celebrações nesta quinta-feira (13) em homenagem ao centenário de nascimento de Fidel Castro. A data coincide com um período de instabilidade energética e os efeitos persistentes do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. As homenagens, que começaram em agosto do ano anterior, incluem um seminário internacional focado no legado do líder da Revolução Cubana e nos rumos futuros da nação.
Enquanto a agenda oficial destaca a trajetória de Fidel, a população cubana enfrenta interrupções no fornecimento de energia e desafios no abastecimento. No início de agosto, o país registrou dois blecautes de âmbito nacional em menos de 24 horas. A União Petrolífera de Cuba (Cupet) informou que a produção interna de petróleo cobre apenas um terço da demanda nacional. A escassez de energia é atribuída à capacidade limitada de geração elétrica, a um sistema obsoleto e às sanções dos EUA, que dificultam a importação de petróleo e seus derivados. Essa situação, conforme relatos, impede o desenvolvimento econômico e leva especialistas a prever um possível colapso em setores cruciais como a saúde. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, descreve o bloqueio americano como um “genocídio político”.
A Trajetória de Fidel Castro
Nascido em Birán, na província de Holguín, Fidel Castro ganhou proeminência política após o ataque ao Quartel Moncada em 26 de julho de 1953, uma tentativa de derrubar o governo de Fulgencio Batista. Capturado, Fidel proferiu o famoso discurso “A História me Absolverá” em seu julgamento, sendo condenado a 15 anos de prisão e anistiado menos de dois anos depois. Em 1955, exilou-se no México, onde conheceu Ernesto “Che” Guevara e fundou o Movimento 26 de Julho.
Do México, Fidel e mais de 80 expedicionários partiram para Cuba a bordo do iate Granma, desembarcando em 2 de dezembro de 1956. Após um ataque das forças de Batista, os sobreviventes se refugiaram na Sierra Maestra, onde organizaram a guerrilha que culminou na vitória da Revolução em 1º de janeiro de 1959.
Legado e Controvérsias
Fidel Castro permaneceu no poder por quase 50 anos. Nos primeiros anos de seu governo, implementou a nacionalização de empresas e a reforma agrária, além de expandir o acesso à saúde, moradia e educação em massa. Contudo, seu regime foi alvo de críticas de dissidentes e organizações internacionais, que denunciaram a existência de um partido único, censura, perseguição a opositores e violações de direitos humanos.
Organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional reconheceram os avanços sociais em Cuba, mas também apontaram a repressão a opositores e restrições à liberdade de expressão. As entidades também mencionaram prisões de dissidentes e execuções sumárias em julgamentos realizados após a ascensão de Castro ao poder.
Fidel afastou-se da presidência em 2006 por questões de saúde e renunciou definitivamente em fevereiro de 2008, transferindo a liderança para seu irmão, Raúl Castro. Ele faleceu em 25 de novembro de 2016, aos 90 anos.
O legado de Fidel Castro permanece objeto de intenso debate, dividido entre aqueles que enaltecem suas conquistas sociais e a soberania cubana frente aos Estados Unidos, e aqueles que criticam a concentração de poder, a ausência de alternância democrática e a repressão política. Especialistas indicam que sua influência foi marcante em Cuba e na América Latina, mas que a percepção sobre seu papel histórico continua sendo uma das mais polarizadas da região.