Assembleia Extraordinária Definirá Futuro de Ações Contra Ex-Gestores
O Conselho de Administração do Banco de Brasília (BRB) agendou uma assembleia-geral extraordinária para o dia 24 de agosto, às 10h, em formato virtual. O principal item da pauta será a votação para autorizar a adoção de medidas judiciais contra ex-administradores. Essas ações visam à recuperação de possíveis prejuízos financeiros e morais decorrentes de transações realizadas com o Banco Master e a corretora REAG.
Contexto das Operações e a 'Operação Compliance Zero'
O comunicado ao mercado enfatiza que as medidas seriam de natureza cível. O BRB não divulgou os nomes dos ex-administradores que poderiam ser alvo desses processos. Segundo o conselho, a iniciativa busca a 'reparação financeira causada ao patrimônio social e moral em decorrência das operações realizadas com o ecossistema Banco Master/REAG, no contexto dos fatos apurados na Operação Compliance Zero'.
A legislação exige que o BRB obtenha a aprovação dos acionistas em assembleia para processar ex-administradores com o intuito de buscar ressarcimento por danos.
Fundamentação para Atribuição de Responsabilidade
O banco estatal alega possuir elementos que, em tese, justificam a atribuição de responsabilidade civil aos envolvidos. Isso inclui possíveis violações de deveres legais ou de gestão, a constatação de prejuízos e a ligação entre as condutas e os danos sofridos pela instituição.
O BRB está em um esforço contínuo para cobrir um significativo déficit financeiro atribuído às operações com o Banco Master.
Impacto Financeiro e Investigações
As investigações apontam que o BRB teria adquirido R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente falsificados do Banco Master, presidido por Daniel Vorcaro, embora o BRB tenha afirmado ter recuperado parte desse valor. O Banco Central estima que as perdas do BRB relacionadas a essas transações, devido à baixa qualidade dos ativos, poderiam ultrapassar R$ 5 bilhões.
Em abril deste ano, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi detido pela Polícia Federal. As acusações contra ele incluem corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Costa ocupou a presidência do BRB de janeiro de 2019 a novembro de 2025. Na ocasião, sua defesa declarou que ele não cometeu crimes e que a prisão foi uma medida excessiva.