Reação de Tiffany Abreu à Nova Regulamentação da CBV
A atleta Tiffany Abreu, oposta do Osasco, pronunciou-se publicamente pela primeira vez após a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) alinhar-se à política do Comitê Olímpico Internacional (COI) que impõe restrições à participação de mulheres trans em competições femininas. Tiffany, que tem permissão para competir no Campeonato Paulista, argumentou que a decisão ameaça sua carreira e representa um passo atrás para o esporte.
Impacto Profissional e Pessoal
Com 41 anos, Tiffany está possivelmente em sua última temporada antes de se aposentar. Ela expressou sua profunda conexão com o vôlei, afirmando: “O voleibol é minha vida, meu trabalho. A CBV está tirando de mim tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que venho exercendo todos esses anos. São 10 anos no voleibol feminino. Não comecei ontem.” A jogadora ressaltou que a medida não afeta apenas sua trajetória individual, mas também clubes, torcedores, patrocinadores e aqueles que a veem como inspiração, além de impactar o direito de todas as pessoas trans.
Detalhes da Nova Política e Críticas
A CBV anunciou em 14 de junho que aplicará, em competições nacionais de quadra e praia, a política de elegibilidade do COI para a categoria feminina. A partir das temporadas 2026/27 para Superliga A e B, Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 e CBVP Challenger 2027, atletas deverão apresentar um teste genético com resultado negativo para o gene SRY. Tiffany classificou a medida como um “enorme retrocesso”, comparando-a às práticas de verificação de sexo de atletas nas décadas de 1960 e 1970, e afirmou que “não podemos ter esse retrocesso jamais”.
Apoio no Campeonato Paulista e Trajetória Pioneira
No Campeonato Paulista, Tiffany continua competindo sem restrições, pois o torneio teve início antes da implementação da nova regra da CBV. A atleta recebeu forte apoio da torcida do Osasco durante a estreia, com gritos de seu nome, cartazes e leques coloridos. A trajetória de Tiffany é notável no Brasil. Após jogar em clubes nacionais e internacionais, ela concluiu sua transição de gênero e, em 2017, obteve autorização da Federação Internacional de Voleibol para competir em categorias femininas. Naquele ano, tornou-se a primeira mulher trans a participar de uma partida da Superliga Feminina. Pelo Osasco, conquistou a Superliga, a Copa Brasil e o Campeonato Paulista na temporada 2024/25, tornando-se a primeira atleta trans a vencer a Superliga Feminina.
Compromisso com a Luta
Tiffany reiterou que não permanecerá em silêncio diante da decisão. “Não vou me calar. E vou tomar todas as medidas possíveis para que minha luta pelo direito, visibilidade, inclusão e prática do esporte não tenham sido em vão. Meus 10 anos não foram em vão e vou lutar por eles e por todos vocês”, prometeu a atleta.