Sarampo: Uma Ameaça Subestimada para Crianças
O sarampo, uma doença viral altamente contagiosa, apresenta riscos consideráveis para a saúde, particularmente em crianças com menos de cinco anos. Especialistas alertam para a gravidade das complicações, que incluem pneumonia, otite, encefalite e, em casos mais severos, a panencefalite esclerosante subaguda, uma condição neurológica degenerativa. A doença também pode comprometer o sistema imunológico, tornando o organismo mais vulnerável a outras infecções.
Vulnerabilidade e Complicações
Crianças menores de cinco anos, com destaque para os bebês abaixo de um ano, são o grupo mais suscetível às manifestações mais graves do sarampo. O Dr. Eduardo Jorge da Fonseca Lima, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), enfatiza que a pneumonia é a principal causa de óbito em lactentes acometidos pela doença. Além disso, o vírus do sarampo pode induzir uma 'amnésia imunológica', reduzindo a capacidade do corpo de combater outras doenças virais e bacterianas em até 73%, conforme estudos científicos.
Estágios da Doença e Sinais de Alerta
A progressão do sarampo se divide em quatro fases distintas:
- Incubação: Dura de 10 a 15 dias, sem sintomas aparentes.
- Catarral: De 2 a 4 dias, caracterizada por febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik na mucosa bucal.
- Exantemática: De 4 a 6 dias, com o surgimento de manchas vermelhas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.
- Convalescença: Fase de recuperação, marcada por descamação da pele. O isolamento do paciente pode ser encerrado após o quinto dia do aparecimento das manchas.
A persistência ou o retorno da febre após o terceiro dia do exantema é um sinal de alerta crucial, indicando possíveis complicações. Outros sintomas que demandam atenção incluem dificuldade respiratória (sugestiva de pneumonia), dor intensa no ouvido (otite) e alterações neurológicas como sonolência excessiva, apatia, convulsões, irritabilidade e dor de cabeça (encefalite).
Prevenção e Situação Atual
O sarampo é transmitido por via respiratória e, embora não haja tratamento antiviral específico, o manejo visa controlar os sintomas e as complicações. A vacinação é a medida preventiva mais eficaz e está disponível gratuitamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS). O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde consiste em duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses (com a vacina tetraviral). Para bebês de 6 a 11 meses e 29 dias em áreas de risco, uma 'dose zero' é orientada.
Em São Paulo, foram confirmados 16 casos de sarampo em 2026 até o momento, sendo 13 na capital. Desses, dez afetaram bebês menores de um ano, ressaltando a urgência da imunização desse grupo vulnerável.
"Se não fosse algo tão sério, o sarampo não teria um protocolo vacinal. É muito importante que todas as crianças tomem a vacina e também estejam com a caderneta vacinal em dia para a própria proteção e a de outras crianças." - Jennifer de Matos, 32, administradora de empresas.