O veículo recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e transferiu os recursos para as Ilhas Virgens Britânicas. O documento, mantido sob sigilo pelo relator André Mendonça, foi revelado pela revista Piauí.

Qual é o conteúdo do relatório da Polícia Federal sobre o ministro Toffoli?

O relatório da PF, produzido há sete meses e mantido em sigilo pelo ministro do STF André Mendonça, afirma que o ministro José Antonio Dias Toffoli pode ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen. Segundo o documento revelado pela revista Piauí, o fundo recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro e transferiu seus ativos para as Ilhas Virgens Britânicas por meio da holding Egide I.

A PF concluiu que diversos elementos de informação, analisados em conjunto, apontam para a possibilidade de que Toffoli fosse o real proprietário do fundo. O ministro já negou ter recebido valores de Vorcaro ou manter amizade com o banqueiro. O documento detalha que o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário, sendo assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu seus ativos para o paraíso fiscal no Caribe.

Como os recursos de Vorcaro chegaram ao fundo Arleen?

O repasse de R$ 35 milhões foi revelado pelo Estadão em fevereiro. De acordo com o relatório, a transação ocorreu por meio da holding Egide I, que enviou o valor para o paraíso fiscal do Caribe. O fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli. Posteriormente, a propriedade do fundo mudou para um empresário amigo do ministro. Meses depois, os ativos foram transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas.

O ministro é sócio da empresa Maridt, que detinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista. Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá.

Quais mensagens de WhatsApp foram encontradas pela investigação?

Conforme mostrado pelo Estadão, Vorcaro enviou mensagens ao cunhado Fabiano Zettel cobrando aportes no resort Tayayá. Em maio de 2024, Vorcaro perguntou: “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”. Zettel respondeu que o aporte poderia ocorrer na semana seguinte. Em agosto de 2024, Vorcaro voltou a cobrar: “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”. Zettel informou que já havia transferido valores para o intermediário, mas o aporte final dependia dessa pessoa. Vorcaro manifestou irritação: “Cara, me deu um p*** problema. Onde tá a grana?”. Zettel respondeu que o valor estava no fundo dono do Tayayá. Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados. Zettel informou: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.

Qual a situação atual do caso envolvendo o ministro do STF?

Procurado pelo Estadão na manhã desta sexta-feira, o ministro Toffoli ainda não se manifestou sobre a posse de recursos no exterior. O relatório da PF permanece sob sigilo no STF, com relatoria de André Mendonça. O caso envolve transações financeiras entre o fundo Arleen, controlado inicialmente por Vorcaro, e resorts ligados à família do ministro. A PF identificou elementos que sugerem possível vínculo entre Toffoli e o beneficiário final dos recursos.

Frequently asked questions

O que diz o relatório da PF sobre Toffoli?

O documento afirma que o ministro pode ter sido o beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro e transferiu valores para as Ilhas Virgens Britânicas.

Quanto dinheiro foi repassado por Vorcaro ao fundo?

O relatório menciona repasse de R$ 35 milhões, sendo R$ 20 milhões em aportes anteriores e R$ 15 milhões adicionais, conforme mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado.

Por que os recursos foram transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas?

Segundo o relatório, o fundo Arleen transferiu seus ativos para o paraíso fiscal após mudança de propriedade para um empresário próximo ao ministro.

Toffoli já se manifestou sobre as suspeitas?

O ministro negou ter amizade com Vorcaro ou ter recebido valores dele, mas ainda não se pronunciou especificamente sobre a posse de recursos no exterior.

Qual o papel do resort Tayayá na investigação?

O fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no Paraná, ligado à família de Toffoli. A PF investiga a relação entre os aportes de Vorcaro e a estrutura societária do empreendimento.

Key takeaways

  • Relatório da PF indica que Toffoli pode ser beneficiário final do FIP Arleen.
  • R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro foram transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas.
  • Mensagens de WhatsApp mostram cobranças de aportes no resort Tayayá.
  • Documento permanece em sigilo no STF sob relatoria de André Mendonça.
  • Toffoli nega ter recebido valores de Vorcaro.

Perspectiva do caso

O relatório da PF, agora público, adiciona novos elementos à investigação sobre transações financeiras envolvendo o ministro do STF. A análise dos aportes ao resort Tayayá e a transferência posterior para paraíso fiscal permanecem sob exame das autoridades. O desfecho dependerá da continuidade das apurações no âmbito do Supremo Tribunal Federal.