Definição de Vice-Presidente: Um Processo de Última Hora

A seleção do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor a chapa como candidato a vice-presidente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi finalizada em um período de menos de 24 horas antes da divulgação pública. Este processo incluiu sondagens a outros potenciais nomes que estavam sendo considerados para a posição.

Nomes Considerados e Articulações

Entre os indivíduos cogitados para a vaga estavam a vereadora de Fortaleza, Priscila Costa (PL), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), e o senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua como coordenador político da campanha de Flávio. A vereadora Priscila Costa foi contatada por telefone na tarde de terça-feira (4), poucas horas antes da decisão final em favor de Gaspar.

A articulação para a escolha foi conduzida por um grupo restrito do núcleo da campanha. Fontes próximas à negociação indicam que o nome de Gaspar começou a ganhar força aproximadamente duas semanas antes, impulsionado por Rogério Marinho. A busca por opções internas no PL intensificou-se quando o partido percebeu que poderia não contar com o apoio do PP e do Republicanos, o que inviabilizaria a indicação de nomes como Tereza Cristina (PP-MS) ou Daniella Marques (Republicanos-RJ).

Aprovação e Motivações da Escolha

Gaspar foi consultado previamente sobre a possibilidade de ser vice de Flávio e manifestou disposição para contribuir com a campanha. Seu nome também recebeu a aprovação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com quem Flávio mantém comunicação através de advogados. Na noite de terça-feira, Gaspar, que estava em Maceió (AL) após lançar sua pré-candidatura ao Senado, recebeu a ligação de Flávio e viajou às pressas para Brasília para o anúncio.

Para compensar a escolha de um homem para a posição de vice, após meses de busca por uma mulher, Flávio Bolsonaro procurou se cercar de aliadas no palco do anúncio, incluindo a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e Tereza Cristina (PP-MS), que também haviam sido consideradas para a vaga.

Integrantes da campanha afirmam que o nome de Gaspar não foi testado em pesquisas internas. Pesou, no fim, o entendimento de que um dos principais pontos de desgaste para Lula (PT) será o escândalo de descontos ilegais em aposentadorias e pensões —tema que projetou Gaspar no cenário nacional a partir da relatoria da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Como relator da CPI do INSS, Alfredo Gaspar associou fraudes em aposentadorias e pensões ao governo Lula e a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou investigações contra Lulinha por suspeitas de tráfico de influência. Correligionários de Flávio acreditam que Gaspar pode melhorar o desempenho da chapa entre eleitores idosos devido à sua atuação na CPI, além de reforçar a mensagem de combate à criminalidade, um tema central para o PL.

Pesquisas internas também indicaram preocupações com a percepção de inexperiência e imaturidade em relação a Priscila Costa, o que teria influenciado a decisão. Tereza Cristina ressaltou que Alfredo Gaspar “traz senioridade e credibilidade” e defende pautas importantes contra a corrupção e em defesa da segurança pública.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, buscou afastar a ideia de que Gaspar seria uma opção de última hora, afirmando que seu nome já era discutido por Flávio e Marinho há pelo menos seis meses, mantido em sigilo para evitar vazamentos.