A Prefeitura de São Paulo abriu investigação na Controladoria-Geral do Município para apurar a vistoria que atestou demolição inexistente em obra de 11 andares na Penha. O desabamento sobre casa vizinha matou cinco pessoas e deixou uma desaparecida. A construção acumula multas e interdições desde 2019.

O que se sabe sobre o desabamento na Penha

O desabamento ocorreu por volta das 2h do sábado, 12 de setembro de 2026, na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo. Uma edificação de 11 andares em construção caiu sobre uma casa ao lado, onde viviam nove pessoas, incluindo uma família boliviana que mantinha oficina de costura no local. O balanço oficial registra cinco mortos e uma pessoa desaparecida sob os escombros. Duas mulheres, uma delas grávida, foram encontradas primeiro. Outros três corpos foram localizados ao longo do dia e da noite. Uma menina de 7 anos e um homem de cerca de 30 anos foram resgatados com vida e encaminhados ao Hospital Municipal do Tatuapé.

O Corpo de Bombeiros manteve 59 profissionais e 20 viaturas no local por mais de 21 horas, com apoio de cães farejadores, Defesa Civil e equipes da Prefeitura. A operação de busca continuou sem previsão de término até a localização da última vítima. A Defesa Civil interditou três residências que ficam no mesmo terreno da casa atingida e mantém equipes na região. As causas do desabamento ainda não foram determinadas. Segundo a corporação, não é possível atribuir o acidente apenas às fortes chuvas que atingiram a cidade durante a madrugada.

Histórico de irregularidades da obra desde 2019

A construção começou em 2019 sem alvará. A Subprefeitura Penha aplicou multas, inclusive uma de R$ 119 mil, e determinou a interdição. Um pedido de alvará foi negado naquele ano. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município obteve liminar judicial para paralisar as obras. Em 2022, novo projeto foi apresentado e, em agosto de 2023, foi concedido alvará condicionado à demolição da estrutura anterior.

Em fevereiro de 2024, uma servidora da Subprefeitura Penha assinou laudo atestando o cumprimento da demolição. Checagens posteriores com moradores e imagens de satélite indicam que a demolição não ocorreu. Essa vistoria é o foco da apuração interna. O laudo foi emitido apesar de a estrutura anterior ainda estar de pé, conforme apuração preliminar da Prefeitura. A servidora foi afastada por 30 dias para evitar interferência nas investigações, conforme determinação do controlador-geral Daniel Falcão. A apuração preliminar da Prefeitura, a partir de checagens com moradores da região e de imagens de satélite, concluiu que a demolição exigida no alvará de 2023 não teria sido realizada.

Investigações abertas pela Prefeitura e pela Polícia

A Controladoria-Geral do Município instaurou procedimento para apurar os procedimentos de fiscalização. A servidora responsável pelo laudo foi afastada por 30 dias. O controlador-geral Daniel Falcão afirmou que a medida visa evitar interferências. A Polícia Civil, por meio do 24º Distrito Policial, investiga o caso e busca localizar os responsáveis pela construtora.

O prefeito Ricardo Nunes visitou o local e classificou a obra como irregular, citando o histórico de multas e interdições desde 2019. A apuração da CGM concentra-se nos atos de fiscalização que permitiram a continuidade da obra apesar das determinações anteriores de interdição e da liminar judicial de 2021. Ainda não há conclusão sobre eventuais falhas administrativas ou omissões que contribuíram para o desabamento. A Polícia Civil também investiga o caso e tenta localizar os responsáveis pela construtora para esclarecer as irregularidades apontadas pela Prefeitura.

Posição da construtora New Home

A New Home Construtora informou que abriu investigação interna. A empresa afirmou não haver elementos que permitam atribuir o acidente exclusivamente à sua conduta e informou que analisará a movimentação de terra em terreno vizinho como possível fator. A construtora declarou que não se exime de eventual responsabilidade apontada pelas investigações e presta apoio às famílias.

A empresa ressaltou que, no momento, não é possível atribuir o desabamento apenas a conduta da companhia e que a análise incluirá fatores externos como movimentação de terra em terreno adjacente. O apoio às famílias atingidas foi confirmado, enquanto as investigações da Prefeitura, Polícia Civil e perícia técnica prosseguem. Em nota, a construtora afirmou que, neste momento, não há elementos que permitam atribuir o acidente exclusivamente a uma conduta da companhia.

Próximos passos após o resgate

Após a localização da última pessoa desaparecida, o local passará por perícia técnica. A Defesa Civil interditou três residências no mesmo terreno e mantém equipes na região. As causas do desabamento ainda não foram determinadas; o Corpo de Bombeiros informou que as fortes chuvas não explicam o acidente isoladamente.

Os trabalhos de busca e salvamento prosseguem até a recuperação da última vítima desaparecida, sem prazo definido para encerramento. Após o término das buscas, a perícia técnica será realizada para esclarecer as causas. A Defesa Civil permanece no local com equipes de apoio e interditou outras três residências no mesmo terreno por razões de segurança. Segundo o Corpo de Bombeiros, os trabalhos continuarão até a localização da última pessoa desaparecida, sem previsão para o encerramento da operação.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas morreram no desabamento?

Cinco pessoas morreram e uma permanece desaparecida sob os escombros, conforme balanço mais recente do Corpo de Bombeiros.

Por que a obra estava irregular?

A construção começou em 2019 sem alvará, recebeu multas, teve interdição determinada e um alvará de 2023 condicionou a continuidade à demolição que não foi comprovada.

Quem investiga o caso?

A Controladoria-Geral do Município apura a fiscalização interna; a Polícia Civil investiga por meio do 24º Distrito Policial; a construtora abriu investigação própria.

A servidora que assinou o laudo foi punida?

Sim, foi afastada das funções por 30 dias para evitar interferência nas apurações.

O que acontece agora com o local?

Após o resgate, será realizada perícia técnica para determinar as causas do desabamento.

Principais pontos

  • Cinco mortes confirmadas e uma pessoa desaparecida após desabamento em obra irregular na Penha.
  • Laudo de fevereiro de 2024 que atestou demolição inexistente está sob investigação da Controladoria.
  • Obra acumula multas e liminar judicial desde 2019; alvará de 2023 foi condicionado à demolição não realizada.
  • Construtora New Home abriu investigação interna e não descarta análise de terreno vizinho.
  • Prefeitura e Polícia Civil conduzem apurações paralelas sobre responsabilidades.

Perspectiva

As investigações da Controladoria, da Polícia Civil e da perícia técnica devem esclarecer as causas do desabamento e eventuais falhas de fiscalização. O caso reforça a necessidade de acompanhamento rigoroso de obras em áreas densamente ocupadas da capital paulista.